Perfil do Apostador Português: Quem Aposta Online em Portugal

Grupo diverso de pessoas a olhar para smartphones numa esplanada em Lisboa

Quem é o apostador português? A resposta que ouço com mais frequência — “homem jovem, fã de futebol” — está correta mas é incompleta. Depois de anos a analisar relatórios do SRIJ e estudos de mercado, posso dizer que o retrato é mais matizado, mais urbano, e está a mudar mais depressa do que a maioria das pessoas imagina. Com 1,23 milhões de apostadores ativos em 2025 e 4,72 milhões de contas registadas no total, estamos a falar de uma parcela significativa da população adulta portuguesa. E os dados demográficos revelam tendências que vale a pena conhecer.

Loading...

1,23 Milhões de Apostadores Ativos: Os Números Gerais

O primeiro número que sempre cito quando me pedem para caracterizar o mercado é este: 1,23 milhões de jogadores ativos em 2025, um crescimento de 12% face ao ano anterior. É um número impressionante para um país com aproximadamente 8,5 milhões de adultos — significa que, grosso modo, um em cada sete adultos portugueses tem uma conta ativa numa casa de apostas ou casino online.

Mas ativo e registado não são a mesma coisa. O total de contas registadas atingiu 4,72 milhões — quase quatro vezes mais do que as contas ativas. Isto diz-nos que muitos portugueses experimentaram o jogo online em algum momento mas não mantiveram atividade regular. No segundo trimestre de 2025, os registos ativos chegaram a 4,9 milhões, com um crescimento de 9,9% face ao período homólogo. A diferença entre registos e atividade real é um indicador da rotatividade natural do mercado — muitos entram, poucos ficam de forma consistente.

Um dado que sinaliza mudança: os novos registos recuaram 22,7% no terceiro trimestre de 2025. O mercado está a crescer em atividade mas a abrandar na captação de novos jogadores. É o retrato de um mercado que consolidou a sua base e que agora compete pela atenção dos jogadores existentes, não pela conquista de territórios virgens.

Idade e Género: Quem São os Jogadores

Há uns anos, quando apresentava dados demográficos do mercado, o número que surpreendia as audiências era a juventude dos apostadores. Hoje, o número que surpreende é a mudança no género. Mas vamos por partes.

A faixa etária dominante é a dos 25-34 anos, com 33,5% dos jogadores. É o coração do mercado — adultos jovens com rendimento disponível, familiarizados com tecnologia, e com interesse desportivo ativo. Logo abaixo, os 18-24 anos representam 32,4% dos novos registos, o que mostra que a porta de entrada no mercado continua a ser a maioridade. No total, 77,8% dos jogadores têm menos de 45 anos. O jogo online em Portugal é, essencialmente, um fenómeno geracional — os baby boomers estão sub-representados de forma clara.

A grande mudança está no género. A percentagem de jogadores do sexo masculino desceu para 85% em 2025, contra 92% em 2022. Sete pontos percentuais em três anos é uma transformação significativa. Significa que a participação feminina quase duplicou — de 8% para 15%. O Portal da Queixa, na sua análise de reclamações, nota que o impacto do jogo é mais expressivo no género masculino, com 78,61% das queixas, e que a faixa dos 35-44 anos é responsável por 46,94% das reclamações. São dados que revelam onde estão os problemas, não apenas onde está o volume.

Distribuição Geográfica: Lisboa, Porto e o Resto do País

Não me surpreendeu quando vi os dados geográficos pela primeira vez — mas a magnitude da concentração urbana é digna de nota. Lisboa lidera com 21,8% dos registos de jogadores, seguida de perto pelo Porto com 21%. Juntos, os dois distritos representam mais de dois quintos do mercado. É uma sobre-representação significativa face ao peso populacional destes distritos.

Depois vêm Setúbal, Braga e Aveiro, que em conjunto reúnem 24,2% dos registos. A concentração no litoral e nos centros urbanos é evidente: o interior do país está sub-representado, o que reflete tanto a distribuição populacional como a desigualdade no acesso a infraestrutura digital e no rendimento disponível.

Esta concentração geográfica tem uma correlação interessante com a oferta desportiva. Os distritos com mais apostadores são também os que têm mais clubes nas principais divisões do futebol português, mais infraestrutura desportiva, e mais cobertura mediática local de desporto. O ato de apostar não existe isolado — é parte de um ecossistema de consumo desportivo que inclui assistir a jogos, seguir resultados e debater com amigos. Onde esse ecossistema é mais rico, a aposta prospera.

Para quem analisa o mercado na perspetiva de operador, estes dados são essenciais: a comunicação, os métodos de pagamento e até as competições desportivas em destaque devem refletir esta geografia. Um operador que aposte em personalização regional — por exemplo, destacando o Sporting de Braga para utilizadores do Minho ou o Vitória de Guimarães para o distrito de Braga — está a trabalhar com a granularidade que os dados permitem.

Padrões de Comportamento: Apostas e Casino Combinados

Uma descoberta que me fascina nos dados do SRIJ é o comportamento cruzado entre apostas desportivas e jogos de fortuna e azar. No segundo trimestre de 2025, 41,6% dos jogadores combinavam apostas desportivas com jogos de casino. Não são dois mercados separados com públicos distintos — são dois produtos que partilham quase metade da base de utilizadores.

Este cruzamento tem implicações práticas. Um jogador que aposta em futebol durante a semana pode passar para slots ou roleta no período sem jogos. Os operadores sabem disto e desenham a experiência em conformidade, com acesso rápido entre secções de apostas e casino dentro da mesma plataforma.

Há um dado curioso sobre nacionalidades que merece menção. Os registos de jogadores com nacionalidade brasileira representaram 48,5% do total de registos, incluindo contas inativas. Mas entre os jogadores ativos, a nacionalidade portuguesa domina com 94,7%. Isto sugere que muitos brasileiros residentes em Portugal experimentaram o jogo online mas não mantiveram atividade regular — possivelmente por diferenças culturais no consumo de apostas ou por questões de adaptação ao mercado regulado.

Quantos portugueses apostam online ativamente?

Em 2025, o mercado contava com 1,23 milhões de apostadores ativos, um crescimento de 12% face ao ano anterior. O total de contas registadas atingiu 4,72 milhões, mas a grande maioria das contas é inativa. Os apostadores ativos representam aproximadamente um em cada sete adultos portugueses.

A percentagem de mulheres a apostar em Portugal está a aumentar?

Sim, de forma significativa. A percentagem de jogadores masculinos desceu de 92% em 2022 para 85% em 2025, o que significa que a participação feminina quase duplicou nesse período, passando de cerca de 8% para 15%. A tendência aponta para uma continuação deste crescimento, embora o mercado continue a ser predominantemente masculino.

Created by the "Casas Apostas Desportivas Portugal" editorial team.